Edifícios novos já vão precisar de certificação energética

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Os portugueses já estão acostumados com os códigos de letras que dizem se um electrodoméstico consome mais ou menos electricidade. O mesmo sistema de classificação começará a entrar em vigor na próxima semana para os edifícios.

Todos os imóveis com mais de mil metros quadrados de área útil, cujo projecto dê entrada nas câmaras municipais a partir de segunda-feira, terão de ter um certificado energético, quando estiverem prontos. Os cidadãos e as empresas disporão assim de mais um critério de escolha na compra ou aluguer de um imóvel.

O certificado vai além disso e assegura que os edifícios novos cumprem as normas de eficiência energética que estão em vigor já há um ano, entre elas, painéis solares obrigatórios.

Um a três por cento

A factura das novas normas pode não ser muito elevada. “Há dados estatísticos que apontam para um a três por cento de acréscimo no valor do imóvel”, afirma Alexandre Fernandes, director-geral da Agência para a Energia (Adene), entidade que gere o sistema de certificação. Esta estimativa ainda não está, porém, validada para Portugal.

O arranque do sistema é assinalado hoje numa cerimónia em Lisboa, presidida pelo ministro da Economia, Manuel Pinho. Antes, o ministro vai inaugurar um painel, na fachada de um edifício em construção, com o símbolo do sistema de certificação energética. O exemplo deverá ser replicado em outras obras.

O sistema de certificação vai entrar em vigor por fases, até 2009. Mesmo na primeira fase, os certificados só começarão a aparecer dentro de meses – quando forem pedidas as licenças de construção. “O sistema está preparado para dar tempo ao tempo”, afirma Alexandre Fernandes.

Quando estiver em velocidade de cruzeiro, serão emitidos de 150 mil a 200 mil certificados por ano. Uma parte, quatro a oito por cento, será auditada pela Adene.

Neste momento, há cerca de 200 peritos qualificados para a emissão dos certificados. No futuro, serão necessários cerca de dois mil.

Muitos temem que o sistema esbarre num sector fragmentado e conservador, como é o da construção civil. “É de facto um sector muito pesado, muito disperso que em muitos casos tem uma tradição de fazer mal”, afirma a arquitecta Lívia Tirone, da Agência Municipal de Energia e Ambiente Lisboa E-Nova.

Solução? “Muita informação, pois esta é uma das medidas mais inteligentes da União Europeia, porque põe na mão do consumidor a decisão sobre o desempenho energético da casa que vai adquirir.”

Leon Glicksman, especialista em eficiência energética no Massachusetts Institute of Technology (MIT), também diz que o sector da construção é “muito conservador”. Mas alerta que não é possível se desfazer de um edifício mal construído com a frequência com que se troca de automóvel. “Se errarmos, aguentamos as consequências por imenso tempo”, lembrou, num encontro que decorreu esta semana em Lisboa.

Ecosfera-Público

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