Parques eólicos matam morcegos

Numa altura em que as energias eólicas estão a transformar a paisagem rural, com os aerogeradores a baterem todos os recordes de produção eólica, investigações demonstram que estes equipamentos têm igualmente causado a morte de uma grande quantidade de morcegos, espécie protegida por lei.

«Há evidências de que as populações de morcegos estão em declínio, sendo que a sua área de distribuição está também a diminuir”, afirma, em declarações publicadas na edição desta segunda-feira do Diário de Notícias, Francisco Amorim, ambientalista e académico que está a analisar, desde 2006, o efeito dos aerogeradores na população destes mamíferos, nas serras da Arada e de S. Macário (distritos de Aveiro e Viseu).

Para este académico, a energia eólica apresenta um «lado menos bom que merece ser olhada com precaução», já que «tem sido detectada mortalidade em muitos dos parques eólicos monitorizados, com um pico no final do Verão e início do Outono».

As causas são ainda desconhecidas, mas o ambientalista aponta algumas hipóteses: «Os sons produzidos por turbinas podem atrair ou desorientar os morcegos» e a dificuldade destes mamíferos em «detectar pás em movimento».

Embora a lei exija avaliação de impacto ambiental, as suas conclusões só são obrigatórias quando está em causa «a instalação de aerogeradores em áreas protegidas ou de mais de dez torres», esclarece.

O ambientalista sugere medidas de minimização como «a promoção de habitats de alimentação e de abrigos artificiais e realização de acções de sensibilização e de educação ambiental junto das populações».

Diário Digital 

2 comments

  1. Osvaldo Lucas

    A sugestão de que os morcegos tenham dificuldade em detectar pás em movimentos parece-me risível. Afinal detectam e capturam insectos em pleno voo.
    Também não é quantificada a mortalidade!!

  2. Francisco Amorim

    Já tive oportunidade de explicar isto no site http://novaenergia.net/forum/viewtopic.php?f=29&t=5397&p=43654#p43654,
    sugiro uma visita, de qualquer maneira fica aqui a explicação:

    Os morcegos utilizam ultra-sons para se orientarem, e estes ultra-sons dissipam-se rapidamente no ar, o que significa que o raio de detecção de objectos de um morcego é muito baixo (diria entre 2 e 10m). Acontece que as pás se movem mais rápido do que aparentam, porque a velocidade é uma função do raio, o que significa que as pás de 35m podem atingir (na ponta) qualquer coisa como 200km/h. Para quem acha demais, pode fazer a experiência… conta o tempo que demora uma pá a dar uma volta completa, depois calcula o perímetro da circunferência descrita (2piR) e calcula a velocidade dividindo o perímetro pelo tempo. Ou seja, para um morcego que só tem um raio de detecção de 10 metros, é muito fácil que não consiga detectar uma pá a esta velocidade porque, ora a pá não está, como no momento imediatamente a seguir já está.

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