Empresas posicionam-se para agarrar energia das ondas

Considerada uma fonte de energia limpa e inesgotável, as ondas podem ser uma das energias do futuro em território português. No entanto, apesar de ao largo da costa ocidental do continente português existirem cerca de 250 a 350 km de extensão que podem ser aproveitados para fins de extracção de energia das ondas, e de Portugal ter sido um dos países pioneiros na investigação e desenvolvimento dos dispositivos de conversão de energia das ondas, visto que desde 1977 um grupo do Instituto Superior Técnico se dedica a este tópico, os projectos têm tido alguma dificuldade em sair do papel.

Enersis, Tecdragon, EDP e Eneólica são algumas das empresas que estão a avançar com investimentos experimentais para aproveitamento da energia das ondas. A Martifer já criou uma joint-venture com a empresa escocesa Briggs, e a Generg está ainda numa fase de estudos e projectos.

A EDP, por exemplo, pretende concluir durante o primeiro semestre deste ano as negociações com dois tecnólogos para projectos de demonstração em Portugal. Este é o resultado da avaliação de mais de 50 tecnologias em aplicações offshore, segmento em que a EDP acredita existir maior potencial. O Breakwave, outro projecto da EDP perto da costa, é financiado em dois milhões de euros por fundos comunitários, e tem subjacente a aplicação da tecnologia de coluna de água oscilante em estruturas de protecção costeira. A localização do protótipo está em fase final de selecção.

Mais adiantada está a Tecdragon que quer instalar por agora, na zona-piloto de São Pedro de Moel, um primeiro módulo de 7 MW com a tecnologia da Wave Dragon. O objectivo é alargar a potência até aos 49 MW, a partir de 2009, num investimento que pode rondar os 150 milhões de euros. Até à data não foi possível instalar a tecnologia no mar pelas «condições meteorológicas adversas», adianta Borges da Cunha, administrador da Tecdragon.

Na mesma situação está o projecto da Enersis, previsto para o largo de Póvoa do Varzim, cuja potência a instalar nesta fase é de 2,5 MW, ou seja, três máquinas da tecnologia Pelamis, de 750 kW cada, num investimento de 9 milhões de euros. Até 2009 deverão entrar em funcionamento mais 2 máquinas, da mesma potência, que exigem um investimento adicional de 5 milhões de euros. No mesmo ano a Enersis e a sua parceira tecnológica escocesa, Ocean Power Delivery, preparam os testes no mar para alcançar os 20 MW, o que poderá equivaler à instalação de mais 28 máquinas de 750 kW cada, ou de 20, cada uma com 1 MW.

Estes são alguns dos projectos que poderão ajudar a aproveitar o potencial português. Num período de 20 a 30 anos, acredita António Sarmento, director do Centro de Energia das Ondas, poderão ser atingidos os 5000 MW na costa ocidental portuguesa, ao qual devem ser adicionados os potenciais da Madeira e dos Açores, que implicariam um investimento superior a 5000 milhões de euros.

http://www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=6653

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2 comments

  1. É pena que o individualismo entre as várias tecnologias das fontes de energia renováveis existentes no mar se mantenha, não permitindo a convergência lógica do aproveitamento energético da energia eólica, solar, ondas e correntes marítimas.
    No caso particular das ondas o desperdício por Kw/m2 na Costa Ocidental Portuguesa é em média 55,56% o que é muito bom por exemplo relativamente às eólicas offshore onde a percentagem não aproveitada é de 99,99%. Se por exemplo o gerador das ondas também incluísse um gerador das correntes e eólico aumentaria em mais de 100% a produção de energia.
    Segundo o Relatório sumário ondas da DGGE, que penso que utilizou o C.A.O. como tecnologia de conversão da energia das ondas que quanto á minha opinião é o menos eficiente, 1m2 de água do mar tem em média cerca de 1200kg e 1 m3 de ar tem é média 1,225 kg.

    ENERGIAS RENOVÁVEIS DESPERDÍÇIO KW/M2 PERCENTAGEM NÃ0 APROVEITADA
    SÓ EÓLICA 6466,02 99,99 %
    SÓ ONDAS 3592,42 55,56 %
    SÓ CORRENTES 2874,42 44,45 %

    Fernando Pereira

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