Proença-a-Nova usa floresta para vender créditos de carbono

A Câmara de Proença-a-Nova pretende apostar fortemente nos próximos anos no mercado voluntário internacional de carbono como forma de valorizar o seu património florestal, conseguir atrair o interesse dos proprietários florestais para as vantagens económicas acrescidas que podem obter dos seus pinhais e eucaliptais e, por fim, para os próprios benefícios ambientais provocados pela sua vasta floresta. O objectivo é que o município possa entrar a médio prazo nos mercados voluntários de carbono e vender os seus créditos em dióxido de carbono (CO2) a quem deles precise.

De acordo com um recente estudo que avaliou a quantidade de dióxido de carbono retirada e acrescentada à atmosfera dentro do perímetro do concelho, sabe-se que os 270 quilómetros quadrados de floresta de Proença-a-Nova absorvem (ou sequestram, na designação mais técnica) 62 mil toneladas de CO2 através do processo de fotossíntese da atmosfera, enquanto se libertam 32 mil toneladas por emissões de diversas fontes de CO2 para o ambiente exterior.

Neste sentido, o concelho tem um crédito positivo de CO2 de 30 mil toneladas que poderá vender nos mercados emergentes a países ou empresas que deles precisem, por emitirem mais substâncias poluentes e gases com efeito de estufa e contribuintes para o aquecimento global do planeta que aquelas que absorvem.

Na sequência do Protocolo de Quio-?to, celebrado em Dezembro de 1999, os países da União Europeia acordaram diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, podendo os créditos ser positivos ou negativos entre absorções e emissões de CO2 (e outros gases ainda com maior potencial de aquecimento, como por exemplo o metano, o óxido nitroso e os clorofluorcarbonetos). E é neste mercado que Proença-a-Nova quer entrar para obter benefícios de e para a sua floresta, dominada sobretudo por pinheiros, eucaliptos e ainda montados de sobro e azinho.

“Queremos que o concelho e os seus produtores florestais possam beneficiar desta participação no mercado de carbono, em que simultaneamente Proença-a-Nova ajuda a despoluir o país e o planeta”, afirma João Paulo Catarino, presidente do executivo local e dinamizador do processo de adesão ao mercado internacional ainda a decorrer. “A nossa estratégia é aumentar a nossa capacidade de sequestro de CO2 da atmosfera e simultaneamente reduzir as nossas emissões poluentes de gases com efeito de estufa, aumentando os nossos créditos ambientais que, depois de vendidos no mercado, trarão lucros para reinvestir na protecção e vigilância da floresta e em incentivos à plantação de novas áreas”, esclarece João Paulo Catarino.

Público

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: